Ouço as conversas cotidianas
E tudo me é alheio
Leio as angústias em verso
E tudo me é alheio
Sou hoje um estrangeiro
Sem as lembranças da minha terra
O mundo anda com os passos de sempre
Já eu não ando mais, flutuo sobre ele
Não há mais pessoas, máquinas, mares
Há um todo fundido, esmagado no mundo
Uma unidade orgânica da qual me privaram
Estou a mais, perceberam e me expulsaram
Tenho coisas em mim que também sobram
Tivesse eu minhas pernas decepadas
E talvez meu eu se dissiparia em alívios
Seria uma solução demasiadamente fácil
Somente as pernas deste exílio sairiam
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